Programas de Aceleração no terceiro setor: a influência da governança estratégica para a sustentabilidade a longo prazo

De acordo com a WorldWide NGO Directory, não é possível divulgar com precisão a quantidade de Organizações da Sociedade Civil em nível global, mas um número é certo. As instituições estão presentes em mais de 190 países, atuando em causas que envolvem apoio às comunidades, conscientização ambiental, preservação dos biomas nacionais, incentivo à educação, cultura, esporte e lazer, entre outras tantas iniciativas.

Ainda que realizem um trabalho nobre e sem finalidade lucrativa, a maioria das instituições enfrenta um grande desafio: angariar recursos financeiros para desenvolver projetos que buscam o bem-estar coletivo da sociedade. Isso é feito por meio de doações de pessoas físicas e jurídicas, campanhas e participação em projetos sociais de grandes corporações.

No entanto, para manterem o equilíbrio fiscal, as OSCs precisam se capacitar tecnicamente, a fim de que consigam realizar a gestão dos recursos recebidos. Somente com conhecimentos técnicos, alguns específicos para o terceiro setor, essas instituições terão condições de manter as atividades e os atendimentos prestados à sociedade.

Com esse entendimento, vamos destacar no artigo a seguir como funcionam os programas de aceleração do terceiro setor, constituídos por uma série de ações, responsáveis por melhorar as estratégias de sustentabilidade das OSCs, em médio e longo prazo. Continue a leitura e atualize-se sobre o assunto.

Função dos programas de aceleração no Terceiro Setor

Inicialmente, é preciso esclarecer que programas de aceleração para o Terceiro Setor são iniciativas estruturadas com o objetivo de fortalecer as OSCs, empregando recursos de qualificação profissional, entre os quais: mentorias, cursos focados no setor, acesso a rede de parceiros e suporte técnico.

É válido esclarecer que a metodologia empregada é inspirada nos modelos utilizados por instituições de empreendedorismo social, portanto, visa aumentar a eficiência, inovação e impacto social na população.

Nesse sentido, os benefícios obtidos variam de acordo com o estágio de maturidade da organização. Em outras palavras, as OSCs emergentes são beneficiadas com melhorias na estruturação e planejamento estratégico, enquanto as instituições com maior tempo de funcionamento e experiência são privilegiadas com opções de inovação, expansão e fortalecimento institucional.

Desse modo, os aceleradores de programas projetados para OSCs colaboram no sentido de aperfeiçoar os projetos, otimizando os modelos de negócios, aprimorando as estratégias operacionais e dimensionando o impacto das ações desenvolvidas. Em termos práticos, atuam como consultores para assuntos como financiamento, networking e acesso a recursos financeiros.

Ao compreender o papel dos programas de aceleração no terceiro setor, os gestores verificarão a importância de ter um conselho administrativo ativo e como conseguirão estabelecer uma governança estratégica, em termos de sustentabilidade. Vale reforçar que a metodologia aprimora a transparência na gestão, fortalece a confiança dos financiadores, parceiros e beneficiários.

Além disso, aderir a um programa de governança estratégico e sustentável é sinônimo de promover uma gestão eficiente de recursos humanos e financeiros. Lembrando ainda que os processos implementados refletirão diretamente no impacto social da OSC, de modo a consolidar o trabalho realizado junto à sociedade.

Outro ponto de atenção que as instituições devem considerar é a construção de relacionamentos com parceiros em potencial. Sendo assim, devem prezar pela honestidade dos objetivos e como são empregados os recursos que devem ser apresentados em prestações de contas.

Em termos práticos, uma OSC que trabalha em projetos de educação ambiental e conscientização de mudanças climáticas pode convidar parceiros interessados em contribuir com a causa para reuniões. Algumas opções eficientes envolvem a realização de workshops em conjunto, eventos comunitários e projetos colaborativos.

Boas práticas de Governança em Programas de Aceleração

Inicialmente, é preciso destacar que os programas de aceleração para OSCs incorporam boas práticas de governança como estruturas de tomada de decisões mais ágeis. Isso pode ser realizado por intermédio de sistemas de monitoramento e avaliação (M&A), que permitem acompanhar os resultados dos programas, ajustando estratégias e prestando contas com transparência.

É importante acrescentar que as responsabilidades assumidas pelas OSCs tornam quase obrigatória a implantação de processos de governança gerenciais. Afinal, as maiores “cobranças” recebidas da sociedade dizem respeito a: prestação de contas, transparência, responsabilidades assumidas, práticas de divulgação e os relacionamentos organizacionais entre os conselhos e os doadores.

Com esse entendimento, elencamos algumas práticas essenciais para que as instituições mantenham o equilíbrio na gestão, fortalecendo assim a imagem e a confiança no trabalho realizado:

Missão, visão e valores: a instituição deve estabelecer com o máximo de clareza cada um dos itens, também conhecidos como ‘documentos de governança’. Esses itens servem como guia direcional no processo de gestão, além de formar base para uma boa governança.

Votação democrática das lideranças: toda instituição sem fins lucrativos deve ter um documento que estabeleça as políticas de gestão, inclusive, no caso de votação ou nomeação de conselheiros e diretoria.

Procedimentos de responsabilização: outra informação que deve estar muito bem definida no estatuto das OSCs são as atribuições e responsabilidades de cada membro da diretoria. Essa distribuição de tarefas garante que os processos operacionais funcionem de modo adequado, principalmente em situações de crise, como reclamações e denúncias.

Assembleia geral anual: os encontros podem ser definidos presencialmente ou por videoconferência, de modo que as partes interessadas sejam esclarecidas e atualizadas dos andamentos dos projetos, assim como questões administrativas e financeiras.

Modelo de tomada de decisão: assim como os membros da diretoria assumem responsabilidades, as tomadas de decisões devem ser estabelecidas com clareza. Isso pode ser feito ou por um grupo específico ou por meio de reuniões extraordinárias.

Ferramentas e metodologias indicadas para governança em OSC

As ferramentas ou metodologias mais eficientes na gestão das instituições dependerão do modelo de trabalho e do número de colaboradores capacitados. Entre as mais comuns estão a matriz SWOT (FOFA – Forças, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças) e metodologias Ágeis, adaptadas para o contexto social.

É importante destacar que o modelo Ágil é estruturado para ciclos curtos de trabalho (como projetos sociais, por exemplo) tendo em vista que permitem entregas rápidas e frequentes. Outro benefício da técnica é despertar o senso de colaboração entre a equipe, direção e stakeholders.

A título de exemplo, a metodologia Scrum colabora no gerenciamento de projetos de desenvolvimento comunitário. Já o modelo Sprint, acelera a conclusão das tarefas e ainda, facilita a construção de relatórios.

Como foi possível observar, os programas de aceleração para OSCs são fundamentais para a implementação e consolidação de processos de governança no âmbito social. Se você ficou interessado em saber mais sobre o assunto, entre em contato com a equipe do Instituto Genésio A. Mendes, uma organização sem fins lucrativos, cujo objetivo é oferecer treinamentos técnicos para as instituições que precisam potencializar a experiência em gestão. Clique no link e conheça mais sobre nosso trabalho.