O gerenciamento das atividades desenvolvidas por uma OSC (Organização da Sociedade Civil) é uma tarefa que requer comprometimento e dedicação, já que os recursos são limitados e inconstantes para atender às necessidades de funcionamento.
Em outras palavras, a gestão lida diariamente com situações desgastantes, como: restrições na capacidade de atendimento, baixo número de voluntários, pressões externas e a necessidade de promover campanhas constantes para dar conta de honrar os compromissos firmados.
Desse modo, é fundamental que os responsáveis pela administração das instituições padronizem o processo de tomada de decisões, com regras claras, objetivas e estruturadas. Outro ponto decisivo para adotar decisões estratégicas é a constituição de um conselho administrativo, já que os envolvidos podem contribuir no processo decisório, pautados em suas vivências profissionais e pessoais.
A partir da compreensão dos desafios apresentados, elaboramos um artigo com informações e insights que podem ser de grande valia no trabalho de toda a equipe de uma OSC. Continue a leitura e saiba como implementar ações estratégicas, visando o equilíbrio e aumento da sustentabilidade financeira.
Principais desafios na tomada de decisão no Terceiro Setor
Inicialmente, é preciso destacar que o processo de tomada de decisões é, normalmente, atribuído às lideranças das organizações, independentemente da atividade que realizam. No entanto, para que esses indivíduos sejam assertivos nas escolhas, será preciso envolver toda a equipe, de modo que todos tenham consciência do papel que desempenham na instituição.
Especialistas da área ressaltam que, para efetivar decisões estratégicas, os gestores devem checar se contam com informações consistentes e ainda se estão alinhadas com o perfil da organização. Um exemplo prático pode ser observado na forma como as OSCs definem a alocação de recursos que serão recebidos do setor público ou privado (oriundos de editais sociais, por exemplo).
É importante que a decisão não seja tomada de forma prematura, já que o dinheiro usado em outras demandas pode não ser suficiente para cobrir o que realmente é prioridade. Por outro lado, quando a escolha é demorada, os responsáveis correm o risco de perder prazos, pagar multas, além de ter que prestar contas publicamente sobre o erro.
Sendo assim, é relevante esclarecer que existem vários estilos de tomadas de decisões, contudo, escolhemos quatro definições para que os dirigentes de OSCs possam avaliar qual opção atenderá melhor o trabalho da sua equipe. Confira quais são:
– Normativos: trata-se de um estilo de gerenciamento empregado a partir das experiências históricas, padrões e condições verificadas pelos gestores. Normalmente, líderes que trabalham com essa perspectiva apresentam inclinação para processos e práticas referenciadas, porém não ficam muito atentos à prevenção de riscos.
– Colaborativos: tomadores de decisão com essa característica envolvem a equipe, solicitando a opinião e decidindo as estratégias em conjunto. É válido destacar que essa abordagem incentiva a transparência, melhora a comunicação e gera confiança entre as partes interessadas.
– Cognitivos: também conhecida como tomada de decisão analítica, essa metodologia prioriza a coleta e a análise de dados para minimizar vieses pessoais, apegos emocionais e intuição individual. Embora essa abordagem baseada apenas nos fatos reduza a subjetividade, ela pode ignorar fatores culturais e pessoais que influenciam o sucesso ou o fracasso final de uma determinada escolha.
– Conceituais: são verificadas quando o tomador de decisão adota uma visão ampla, enfatizando a criatividade ou soluções inovadoras. Os tomadores de decisão conceituais buscam intencionalmente novas ideias e possibilidades que podem divergir significativamente de decisões anteriores.
Como definir escolhas estratégicas e sustentáveis para OSCs?
É importante esclarecer que o bom relacionamento das instituições sociais com seus voluntários, comunidade atendida e demais stakeholders será fundamental no processo de escolha, bem como na sustentabilidade financeira.
1 – Nesse sentido, o primeiro passo é realizar uma pesquisa de campo, de modo a obter dados que ajudem a fundamentar um plano de trabalho consistente e que apresente soluções para os problemas identificados no local de atuação.
2 – O documento deve elencar quais são as necessidades financeiras da OSC e estabelecer uma estratégia para acionar doadores frequentes, realizar campanhas e ainda, monitorar projetos da iniciativa pública e privada.
3 – Manter contato frequente com interessados em participar das ações como voluntários, ou ainda, produzir campanhas nas redes sociais, convidando a população a participar dos projetos, com doações ou colaborando com mão de obra.
4 – Interagir com a comunidade, por meio de eventos de caráter social (parceria com instituições públicas que prestam serviços de saúde ou produzem documentos). Ao intermediar esse contato, as OSCs serão reconhecidas pelo comprometimento com o bem-estar social.
5 – A mensuração dos resultados deve ser constante, de modo a registrar todas as etapas e em quais delas a interação do público foi mais efetiva. Isso vale não só para redes sociais, como também para e-mail marketing, ligações e visitas in loco. Lembre-se de que as métricas utilizadas em uma ação ou campanha são uma das decisões estratégicas definidas pelas instituições.
Como ter sustentabilidade financeira no terceiro setor?
A instabilidade na manutenção de doações frequentes coloca as OSCs em uma situação vulnerável, pois, dependendo do alcance do projeto e caixa financeira, termina encerrando o trabalho antes do prazo. Portanto, vamos fazer uma analogia da instituição com uma planta: a parte que está acima do solo (caule, folhas e frutos) são os aspectos organizacionais como projetos, capacitação e administração.
Contudo, a parte que fica enterrada, ou seja, as raízes, diz respeito aos aspectos institucionais da organização. Dessa maneira, se o propósito e trabalho forem fortes, a muda se desenvolverá. Por outro lado, se as raízes forem atacadas por pragas, não importa o quanto a gestão se esforce, o projeto não terá continuidade.
Desse modo, é importante acrescentar que uma alternativa coerente para a OSC é realizar a análise de SWOT (Forças, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças). Com o diagnóstico em mãos, os gestores poderão elencar quais decisões estratégicas são prioridades para o andamento das atividades e, assim, tomar decisões institucionais mais assertivas.
Outra condição essencial para as instituições sociais é a manutenção das doações em espécie e dinheiro. Se o projeto tem o objetivo de ensinar a comunidade a gerar renda, também terá que dar o exemplo pela própria gestão financeira.
Com esse entendimento, as lideranças do terceiro setor devem refletir sobre o grau da responsabilidade assumida, quantidade de pessoas impactadas (entre colaboradores, voluntários e assistidos) e o alcance das tomadas de decisões efetivadas.
O Instituto Genésio A. Mendes é uma OSC que nasceu com o compromisso de contribuir para que outras organizações sociais a se aperfeiçoarem, de modo a aumentarem o alcance de atendimento e impacto positivo na sociedade. Por isso, atua em dois pilares, no desenvolvimento com capacitações específicas para o terceiro setor e fortalecimento, com investimento financeiro em projetos e ações das OSC’s de educação, saúde e assistência social.
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